quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Zakarella


Em 1962 apareceu na Banda Desenhada uma personagem de seu nome Barbarella (criada pelo ilustrador francês Jean-Claude Forest) que vivia noutro planeta, e que usava a sua beleza e talentos sexuais para fazer a sua vidinha (e nós não temos nada a ver com isso, cada um usa os talentos que tem da forma que melhor lhe aprouver), fez tanto sucesso que foi feito um filme (hoje um filme de culto) com a mítica Jane Fonda.
Lembro-me apenas de uma cena desse filme (isto da idade é fodido para a memória – guardamos o que não precisamos, esquecemos o essencial. Um dia destes esqueço-me do meu verdadeiro nome que, para memória futura, informo ser Virgulina Labareda), bem a tal cena era de sexo (queriam o quê? Que me lembrasse dela a lavar a loiça, ou os dentes?) era com um terráqueo que, estranhou ela, quis sexo sim, mas não da forma que ela estava habituada (encostar mão-na-mão, e tudo se passava na cabeça dos intervenientes. Por estranho que pareça, actualmente alguns terráqueos adoptaram aquilo, acho que se chama “sexo tântrico”), mas o tal terráqueo quis sexo puro e duro, não há cá encostos de mãozinha, buga mazé pah troca de fluídos.
Só vos digo que a Barbarella ficou fã, não ficou tão penteadinha como de costume, mas ficou mesmo muito fã do “foder-como-no-planeta-azul”.
Ora, baseado nisto, e porque a Barbita (pohs amigos) fez tanto sucesso, foi criada por Forrest J. Ackerman, em 1969, a Vampirella, que de parecido só tinha a terminação do nome. A Vampirella era ainda “mais boa” que a Barbita, só tinha um senão: tinha uns caninos muito afiados, e gostava de espetá-los nos maus, bebendo-lhes o sangue.
A Vamp (pohs amigos) era assim a modos que uma vampira espera-aí-que-estou-a-pensar-ser-vegetariana, e até tinha um substituto, quimicamente criado, para o sangue de que precisava para se alimentar. Era isso ou comia o namorado, e isso é que não, que o gajo era bom na cama, e não se podem desperdiçar, por gula, esses seres tão raros.
E em Portugal, esse país que a maioria dos habitantes deste planeta mal frequentado nem sabe muito bem onde fica?
Bom vivíamos no doce (not) remanso de uma ditadura (é bom, se fosse ditamole era pior), e não havia cá poucas vergonhas de publicações de desenhos de mulheres quase sem roupa.
Não havia, mas passou a haver, fizemos uma revolução sangrenta (quié? os cravos antes da revolução eram brancos, passaram a vermelhos naquela longínqua noite de 24 para 25 de Abril de 1974) e pronto, passou-se do 8 para o 80, e de mulheres vestidas-dos-pés-à-cabeça passou-se para a “Gina” (fotonovela porno, para os mais novos, que nunca ouviram falar desta mítica revista).
Todavia 2 anos depois, nos idos anos de 1976 um mui ilustre desenhador/pintor de seu nome Carlos Alberto Santos teve a ideia de criar uma heroína sexy, na esteira da Barbita e da Vamp (pohs amigos), e eis que surge a Zakarella (notam a terminação do nome? É a única coisa em comum), e se bem o pensou melhor a desenhou (quase sem roupa, que aquelas tampinhas de mamilos, e tapa-passarinha metálico, não é roupa).
Com o seu (do Carlos Alberto Santos) amigo Roussado Pinto surgiram as histórias da Zakarella. Desenho de um, textos do outro.
Segundo o que o Sr. Carlos Alberto Santos me disse (sim, eu conheço-o, roam-se), funcionavam até ao contrário do normal (sendo que o normal é 1º haver uma história, e só depois surgir o desenho),com eles o C.A.S. apresentava os desenhos da Zaka (pohs amigos) ao amigo R.P., e ele, com base nos desenhos, escrevia a história. E como escrevia caramba, o Roussado Pinto foi um homem fora do seu tempo, se existisse actualmente seria um caso sério de sucesso mundial. Mesmo.
Mas voltemos à nossa Zakarella.
Viu a luz do dia no dia 1 de Março de 1976, numa revista a que emprestou o nome, e por lá andou os 28 números, até a revista deixar de ser publicada, não por culpa dela, claro.
A moça era (e é) a única heroína nacional criada de raiz por um português, e não era extraterrestre (apesar de às vezes aparecer como tal nas histórias), e também não era vampira.
Era uma escrava nada submissa, apesar de ter um dono muito sádico.
Parece (ouvi dizer) que a moça fodia bem, e servia-se da sua “arte de bem foder” para tudo o que lhe pudesse ser útil, sendo que o fim que almejava era a liberdade (tão em voga naquela época).


Às vezes as suas fodas eram um bocado ridículas… por exemplo: foder com esqueletos… heloooo?? Os esqueletos não têm pila/pinto/pénis (a menos que dentro do pénis exista um osso, mas não me parece que “fractura peniana” que é coisa para doer um bocadito, seja de aplicar aqui), portanto sem pila, fodem como??
Adiante.
A Zaka nem sequer era esquisita na escolha de parceiros (quando podia escolher), desde que isso servisse os seus intentos (fodeu com homens-peixe, homens-lagarto, esqueletos, e sei-lá-mais-o-quê).
Em 28 de Março de 1978 saiu o último número da revista, e nunca mais se viu a moça. Mas continuou a ser falada com saudade.
Em 2010, e contactado o seu autor, este cedeu os direitos que tinha sobre a personagem (só da personagem, os textos eram de Roussado Pinto) a quem almeja voltar a trazê-la para o vosso regaço.
Actualmente existe um projecto em andamento com desenhadoras e coloristas (ver aqui) também portuguesas, que vos vão deixar a babar quando tiverem o álbum nas mãos (é favor evitarem levar o álbum até ao WC, porque os livros com paginas coladas ficam estragados, e dão mau aspecto).
Tenho cá para mim que em 2014, terão uma guerreira poderosa, perigosa, apetitosa, e com pouca roupa, nas mãos.






21 comentários:

Anónimo disse...

Fodem como, sem pila??? Ai, mulher, que falta de imaginação.

Mad

Diabba disse...

Mad,
não os imagino a usar as mãos e perderem os dedos, língua? Mesmo problema da pila.
Diz-me tu como é que um esqueleto fode, hã??

Hugo Dionisio disse...

Minha cara Virgulina....que hei de dizer... muito bom!!!! Gostei!! Que venha essa BD nacional!!

Diabba disse...

Hugo,
Estou mais desejosa do que tu, quanto a essa BD nacional.
]:-)

Hugo Silva disse...

ahh quem inspirou o post quem :P e vc adora os parentesis hein ;D

Mas gostei do texto e dos parceiros da Zaka

Carlos Rocha disse...

Estamos sempre a aprender; eu nem sequer sabia que até com esqueletos as mulheres truca-truca.

Quanto a levar a revista para o wc, nada contra, desde que adquiram dois exemplares: um para emprestar e o outro...para consumo interno. E que nunca se esqueçam de lavar BEM as mãos. ;)

Achei a informação (lição?) bem resumida e facilmente assimilável. Gostei, mesmo. Parabéns.

ps: Os parênteses da Virgulina são como sal sobre ferida.

Diabba disse...

Hugo,
és muito inspirador tu... ]:-P
(qse me senti um Paulo Costa, mas em mau, e com um poder de síntese do catano) hihihihihi

Carlos,
Revista?? Qual revista? Vai ser álbum, e se possível capa dura, portanto convém mesmo não estragar, é coisa para ser mais caro que uma revista.

ahhhh sal sobre as feridas, tão estimulante. hihihihihi

]:-D

Anónimo disse...

Um esqueleto? Fode com os dedos ou com um strap-on, já tanto como uma lésbica pode fazer...

Quanto ao material em causa não tenho opinião formada de tão raro e caro que é se encontrado.

-Bladder/Priapo

Anónimo disse...

E depois fiquei a pensar...

A Zaka fode bem?

O que se entende por uma mulher que fode bem? Faz o quê? É versada em todas as vertentes do desejo masculino?

-Bladder/Priapo

Diabba disse...

Bladder - Príapo,

E os esqueleto arrisca perder as falanges?? hihihihi o strap-on pode ser interessante, mas por norma procura-se que o prazer seja mútuo, não??

Fode bem... porque pelos vistos todos a queriam, presumo que o sucesso se devesse à sua boa perfomance.
]:-D

Anónimo disse...

Diabba,

Por essa ordem de ideias, uma lésbica com strap-on não deve gozar muito, pois não? ai está, o seu gozo é dar prazer à parceira.

Agora, como já disse ainda não li nada da Zaka logo não sei porque é que um esqueleto a havia de querer foder... será como no filme Hellraiser (grande filme) em que o esqueleto tem artes de poder absorver carne e sangue por contacto para voltar ser inteiro?

-Priapo/Bladder

Mauricio dos Santos disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Diabba disse...

Maurício dos Santos,
o que acabaste de postar é publicidade, e nem pediste por favor, portanto eu encaro como SPAM.
Gostavas que te entrasse pela casa dentro, e colocasse lá coisas que não têm nada a ver com a tua decoração, e saisse sem dizer nada??

enxofre

Diabba disse...

Bladde,
dá gozo dar gozo, mas supõe-se que também gozes, ou transformas-te numa máquina.
Eu tenho as revistas todas da Zakarella... 2 vezes.

]:-D

Anónimo disse...

Louvo a ideia de um reboot da Zakarella mas era porreiro editar novamente em edição restaurada, presumo que é toda a preto e branco, talvez em 1, 2 volumes?

Tenho de dizer que a arte está muito boa e era pena que se perdesse para as gerações vindouras, provavelmente o artista já nem terá os originais (?).

-Bladder



Anónimo disse...

Diabba,

Ciborgue, sff.

-Bladder

Diabba disse...

Bladder-Príapo,
Não o CAS não tem nem um original, naquela época ele diz que ia fazendo lá na revista e os originais iam por lá ficando, ou então ele dava-os a amigos que gostassem dos desenhos... enfim, não há nem um original.
De qualquer forma podemos sempre usar as imagens, temos os direitos sobre elas, têm é de ser tratadas (restauradas) por quem saiba fazê-lo.
O Sr. Carlos Alberto Santos disse, quanto aos originais das capas "nem os queria ter, agora até lhes tenho medo, aquilo deve ter sido uma época em que soltei os meus demónios", achei piada à ideia de um artista olhar para determinada fase da sua carreira como um "soltar de demónios".
beijo d'enxofre óh ciborgue

Anónimo disse...

Para mim as melhores fases são mesmo as de soltura de demónios... e talvez seja por isso que ainda sejam apreciadas? São diferentes.

Vou ver o que o CAS fez após Zaka, confesso que não sou grande conhecedor da obra deste.

Abraço víril oh habitante das profundezas sulfúricas.

Nuno Amado disse...

Então vá, pesquisa a obra de CAS!
Vais descobrir coisas lindas!
;)

Alien David Sousa disse...

"heloooo?? Os esqueletos não têm pila/pinto/pénis "

LOL

Sabes que mais Venenosa? O meu orgulho portuga veio ao de cima após ter lido este teu texto. A Zaka é nossa, uau!
Há tanto que desconheço sobre este planeta, mas estou a aprender, pelo menos no que toca à banda-desenhada erótica ;)

Kisses diabita cor de labareda

Diabba disse...

Extraterrestra,
A Zaka é muito mais "nossa" do que podes imaginar.
Um dia destes tens uma surpresa (talvez no próximo ano), confesso que estou a ficar cheia de ver um certo projecto ser adiado.

beijo d'enxofre