Em 1962 apareceu na Banda Desenhada uma personagem de seu nome Barbarella (criada pelo ilustrador francês Jean-Claude Forest) que vivia noutro planeta, e que usava a sua beleza e talentos sexuais para fazer a sua vidinha (e nós não temos nada a ver com isso, cada um usa os talentos que tem da forma que melhor lhe aprouver), fez tanto sucesso que foi feito um filme (hoje um filme de culto) com a mítica Jane Fonda.

Lembro-me apenas de uma cena desse filme (isto da idade é fodido para a memória – guardamos o que não precisamos, esquecemos o essencial. Um dia destes esqueço-me do meu verdadeiro nome que, para memória futura, informo ser Virgulina Labareda), bem a tal cena era de sexo (queriam o quê? Que me lembrasse dela a lavar a loiça, ou os dentes?) era com um terráqueo que, estranhou ela, quis sexo sim, mas não da forma que ela estava habituada (encostar mão-na-mão, e tudo se passava na cabeça dos intervenientes. Por estranho que pareça, actualmente alguns terráqueos adoptaram aquilo, acho que se chama “sexo tântrico”), mas o tal terráqueo quis sexo puro e duro, não há cá encostos de mãozinha, buga mazé pah troca de fluídos.
Só vos digo que a Barbarella ficou fã, não ficou tão penteadinha como de costume, mas ficou mesmo muito fã do “foder-como-no-planeta-azul”.
Ora, baseado nisto, e porque a Barbita (pohs amigos) fez tanto sucesso, foi criada por Forrest J. Ackerman, em 1969, a Vampirella, que de parecido só tinha a terminação do nome. A Vampirella era ainda “mais boa” que a Barbita, só tinha um senão: tinha uns caninos muito afiados, e gostava de espetá-los nos maus, bebendo-lhes o sangue.
A Vamp (pohs amigos) era assim a modos que uma vampira espera-aí-que-estou-a-pensar-ser-vegetariana, e até tinha um substituto, quimicamente criado, para o sangue de que precisava para se alimentar. Era isso ou comia o namorado, e isso é que não, que o gajo era bom na cama, e não se podem desperdiçar, por gula, esses seres tão raros.
E em Portugal, esse país que a maioria dos habitantes deste planeta mal frequentado nem sabe muito bem onde fica?
Bom vivíamos no doce (not) remanso de uma ditadura (é bom, se fosse ditamole era pior), e não havia cá poucas vergonhas de publicações de desenhos de mulheres quase sem roupa.
Não havia, mas passou a haver, fizemos uma revolução sangrenta (quié? os cravos antes da revolução eram brancos, passaram a vermelhos naquela longínqua noite de 24 para 25 de Abril de 1974) e pronto, passou-se do 8 para o 80, e de mulheres vestidas-dos-pés-à-cabeça passou-se para a “Gina” (fotonovela porno, para os mais novos, que nunca ouviram falar desta mítica revista).
Todavia 2 anos depois, nos idos anos de 1976 um mui ilustre desenhador/pintor de seu nome Carlos Alberto Santos teve a ideia de criar uma heroína sexy, na esteira da Barbita e da Vamp (pohs amigos), e eis que surge a Zakarella (notam a terminação do nome? É a única coisa em comum), e se bem o pensou melhor a desenhou (quase sem roupa, que aquelas tampinhas de mamilos, e tapa-passarinha metálico, não é roupa).
Com o seu (do Carlos Alberto Santos) amigo Roussado Pinto surgiram as histórias da Zakarella. Desenho de um, textos do outro.
Segundo o que o Sr. Carlos Alberto Santos me disse (sim, eu conheço-o, roam-se), funcionavam até ao contrário do normal (sendo que o normal é 1º haver uma história, e só depois surgir o desenho),com eles o C.A.S. apresentava os desenhos da Zaka (pohs amigos) ao amigo R.P., e ele, com base nos desenhos, escrevia a história. E como escrevia caramba, o Roussado Pinto foi um homem fora do seu tempo, se existisse actualmente seria um caso sério de sucesso mundial. Mesmo.
Mas voltemos à nossa Zakarella.
Viu a luz do dia no dia 1 de Março de 1976, numa revista a que emprestou o nome, e por lá andou os 28 números, até a revista deixar de ser publicada, não por culpa dela, claro.
A moça era (e é) a única heroína nacional criada de raiz por um português, e não era extraterrestre (apesar de às vezes aparecer como tal nas histórias), e também não era vampira.
Era uma escrava nada submissa, apesar de ter um dono muito sádico.
Parece (ouvi dizer) que a moça fodia bem, e servia-se da sua “arte de bem foder” para tudo o que lhe pudesse ser útil, sendo que o fim que almejava era a liberdade (tão em voga naquela época).
Às vezes as suas fodas eram um bocado ridículas… por exemplo: foder com esqueletos… heloooo?? Os esqueletos não têm pila/pinto/pénis (a menos que dentro do pénis exista um osso, mas não me parece que “fractura peniana” que é coisa para doer um bocadito, seja de aplicar aqui), portanto sem pila, fodem como??
Adiante.
A Zaka nem sequer era esquisita na escolha de parceiros (quando podia escolher), desde que isso servisse os seus intentos (fodeu com homens-peixe, homens-lagarto, esqueletos, e sei-lá-mais-o-quê).
Em 28 de Março de 1978 saiu o último número da revista, e nunca mais se viu a moça. Mas continuou a ser falada com saudade.
Em 2010, e contactado o seu autor, este cedeu os direitos que tinha sobre a personagem (só da personagem, os textos eram de Roussado Pinto) a quem almeja voltar a trazê-la para o vosso regaço.
Actualmente existe um projecto em andamento com desenhadoras e coloristas (
ver aqui) também portuguesas, que vos vão deixar a babar quando tiverem o álbum nas mãos (é favor evitarem levar o álbum até ao WC, porque os livros com paginas coladas ficam estragados, e dão mau aspecto).
Tenho cá para mim que em 2014, terão uma guerreira poderosa, perigosa, apetitosa, e com pouca roupa, nas mãos.